Onde vai a luz, não quantas madeixas
A pergunta técnica — quantas madeixas, que espessura, que esquema — é a segunda. A primeira diz respeito ao efeito: a cliente quer iluminar o contorno do rosto, acrescentar movimento nos comprimentos ou subir a luminosidade geral? São três objetivos que produzem colocações completamente diferentes e que, confundidos, geram o clássico resultado «bonito, mas não é o que eu queria».
A colocação tem também uma função sobre o rosto. Clareamentos concentrados no contorno sobem a luz junto aos olhos e suavizam o terço central; clareamentos distribuídos pelos comprimentos acrescentam profundidade sem mudar a perceção do rosto. A primeira escolha nota-se muito numa fotografia frontal, a segunda muito menos.
Por fim há a variável que decide a satisfação aos três meses: o corte na raiz ao crescer. Um contraste elevado é espetacular acabado de fazer e torna-se uma linha nítida ao fim de oito semanas; um contraste contido é menos imediato e envelhece muito melhor. A escolha depende da frequência com que a cliente pode voltar, e é uma pergunta a fazer antes.
O que determina a satisfação ao fim de dois meses
O gráfico é qualitativo e indica o peso de cada elemento nos casos em que o resultado deixa de convencer antes do retoque previsto.
Três objetivos, três abordagens
A tabela parte do efeito pedido e indica colocação, corte aconselhado e frequência de manutenção.
| Objetivo | Colocação | Retoque |
|---|---|---|
| Iluminar o rosto | Contorno do rosto e primeira secção | De oito em oito semanas |
| Acrescentar movimento | Distribuído pelos comprimentos, corte médio | De doze em doze semanas |
| Subir a luminosidade geral | Esquema pleno, corte contido | De dez em dez semanas |
| Efeito muito visível | Contorno e superfície, corte alto | De seis em seis semanas |
Definir os clareamentos
Pergunte onde vai a luz
Contorno do rosto, comprimentos ou luminosidade geral.
Pergunte a frequência de regresso
Determina o corte sustentável.
Escolha a colocação
Não o número de madeixas.
Ponha o retoque no orçamento
Como item, não como sugestão.
Antes do orçamento
- Pergunte de quanto em quanto tempo a cliente pode voltar, antes de escolher o corte.
- Mostre onde irá a luz no rosto dela, não um esquema genérico.
- Ponha a manutenção no orçamento, não ao lado.
A frequência de regresso é a restrição que governa tudo o resto. Uma cliente que pode vir de seis em seis semanas pode permitir-se um contraste que numa cliente semestral deixaria uma linha evidente durante meio ano. É uma pergunta prática, não comercial, e deve ser feita no início da consultoria.
Quando a manutenção entra no orçamento como item explícito, a comparação com outras ofertas muda de natureza. A cliente deixa de comparar dois valores e começa a comparar dois percursos, que é o único terreno em que um salão que trabalha bem pode ganhar.
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Perguntas frequentes
Quantas madeixas são precisas?
É a pergunta errada para começar. O número decorre do efeito escolhido e da densidade do cabelo: primeiro define-se onde vai a luz, depois o esquema.
Como se evita a linha ao crescer?
Reduzindo o corte ou afastando os clareamentos da raiz. Um contraste elevado na raiz produz inevitavelmente uma linha nítida ao fim de poucas semanas.
São mesmo precisos retoques frequentes?
Depende do corte. Com contraste contido e arranque suave pode chegar-se aos três meses; com contraste alto a frequência reduz-se para metade.