A regra do ponto de chegada
Todo o comprimento termina algures, e esse ponto de chegada torna-se uma linha horizontal que o olhar segue. Quando coincide com o ângulo da mandíbula, sublinha-o; quando o ultrapassa, suaviza-o; quando fica nitidamente acima, desloca a atenção para o pescoço e para as maçãs do rosto.
Isto explica porque o mesmo bob funciona numa cliente e não noutra. Não é o corte que está errado, é o ponto em que termina face a uma linha óssea que muda de pessoa para pessoa. A medida útil não é o comprimento em centímetros, é a distância entre o ponto mais curto e o ângulo mandibular.
O desfiado trabalha com a mesma lógica mas de forma mais gradual. Abrir os comprimentos a partir de cima da mandíbula cria uma diagonal que interrompe a horizontal; fazê-lo abaixo deixa a linha intacta e age apenas sobre o volume final. São duas decisões diferentes que muitas vezes se descrevem com a mesma palavra.
Efeito percebido consoante onde termina o comprimento
O gráfico é qualitativo e indica quanto cada escolha põe em evidência a linha mandibular face às outras.
Três objetivos, três comprimentos
A tabela parte do efeito que a cliente pede e chega à escolha técnica, com a manutenção que cada uma implica.
| Objetivo da cliente | Escolha técnica | Manutenção |
|---|---|---|
| Suavizar um ângulo marcado | Comprimento abaixo da mandíbula com movimento | Acerto de oito em oito semanas |
| Pôr a estrutura em evidência | Bob que termina na linha, sem desfiado | Acerto de quatro em quatro semanas, penteado preciso |
| Aliviar sem encurtar | Desfiado interno, comprimento inalterado | Nenhum impacto na frequência |
| Alongar visualmente o pescoço | Bob curto acima da mandíbula, nuca aliviada | Acerto de três em três ou quatro semanas |
Escolher o ponto de chegada
Meça a distância
Entre o ponto mais curto e o ângulo mandibular.
Pergunte o objetivo
Mostrar ou suavizar essa linha.
Avalie com o cabelo seco
Em texturas onduladas o comprimento sobe.
Associe a frequência
De quanto em quanto tempo é preciso acertar esse corte.
Antes de pegar na tesoura
- Meça a distância entre o ponto mais curto e o ângulo mandibular, não o comprimento absoluto.
- Pergunte se a cliente quer sublinhar ou suavizar essa linha: são pedidos opostos.
- Associe a cada proposta a frequência de acerto que implica.
A pergunta a fazer é mais simples do que parece, e é a mesma em todos os casos: esta linha, quer torná-la mais visível ou menos visível? Muitas clientes nunca a colocaram a si próprias e a resposta chega logo, muitas vezes diferente da que o profissional tinha suposto ao olhar para o rosto.
O segundo elemento, o que decide a satisfação ao fim de um mês, é a frequência. Um bob que termina na linha mandibular é lindíssimo acabado de fazer e perde definição em quatro semanas. Se a cliente volta de três em três meses, essa proposta deixá-la-á descontente dois terços do tempo, e vale a pena dizê-lo antes.
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Perguntas frequentes
Deve evitar-se sempre o bob numa mandíbula marcada?
Não. Deve evitar-se a coincidência entre ponto mais curto e ângulo, se o objetivo for suavizar. Um bob mais curto, acima do ângulo, funciona muitas vezes muito bem.
Como muda a avaliação em cabelo encaracolado?
O ponto de chegada calcula-se sobre o comprimento seco, que pode subir vários centímetros. É o erro mais frequente neste tipo de cabelo.
O plano do look ajuda a decidir o comprimento?
Ajuda a discutir a direção e a comparar duas alternativas. Continua a ser uma proposta profissional: o resultado final depende da textura, da densidade e da queda real.